Jesus Cristo, O
juiz vacilão?
Para começar, gostaria de esclarecer que o título somente foi
dado para o fim de gerar espanto e interesse de leitura.
De outro modo, como respeito todos os estudiosos e seus
conceitos sobre a figura do Cristo, mas quero me focar exclusivamente no
aspecto juízo maior, que a todos atinge.
Portanto, meu interesse agora, é respeitar inclusive quem se
opõe ao Cristo, quem nele não acredita, quem revela outras verdades que as
defendidas pelas Igrejas Cristãs, para me centrar na ideia central do livro de
regras comuns de julgamento (aliás presente nas demais religiões não cristãs,
mas me foco somente na Bíblia para este fim), e, dele retirar conceitos que foram
deturpados buscando a correção de valores sociais comuns para o devido conceito
de sentido de julgar.
O Cristo em diversos pontos de suas prédicas passa a ideia de
que julgará sem parcimônia e perdoará pura e simplesmente as faltas cometidas
em toda uma vida, por um único ato de arrependimento e pedido de perdão.
Parece que culpa, arrependimento e perdão, estão associados de
modo a retirar aspecto fundamental da relação do erro em relação aos seus
efeitos.
Quando eu estava fazendo um curso de Doutorado, um colega me
disse, olhe, o Cristo que conheço ao final perdoará tudo, então posso cometer
os erros que quiser, que, antes do fim, pedindo perdão, tudo estará resolvido.
Muitas religiões apontam a necessidade de recuperar perante os
efeitos a falta cometida, o que, por ocasião da falsa ideia da interpretação distorcida
da lei ditada pelo Cristo faz com que estes efeitos não tenham relevância
diante do perdão.
Não é o que o Cristo aponta em seu ministério, por exemplo, no episódio
do filho pródigo, algumas consequências relevantes não são exploradas, como o efeito
de que o erro foi perdoado, mas seus efeitos não estão sendo absolvidos.
O filho pensa que o pai (juiz) estaria sendo injusto, mas se
conforma com a justificativa deste, o que, na prática significa dizer que o
filho mais velho com a morte do pai, será o patrão do filho mais novo, como
efeito imediato da regra do direito de sucessão estabelecida na sentença – “tudo
que é meu é seu”. Igualmente, o pai não disse que o filho não seria empregado,
mas que voltou a condição de filho, cuja restrição de direito patrimonial não
está escrita.
Assim, não é que o Cristo, recompõe a herança à rediscussão da
divisão do patrimônio, ou administração em caso de sucessão. Não é o que conta,
mas o que está em jogo, é a tolerância ao convívio, a aceitação de que os
vínculos familiares estreitos importam mais do que a divisão do patrimônio.
As regras do direito de família, importam em valores que, por
vezes não importam em valores financeiros, o que está muito claro na divisão
ditada pelo pai juiz. Neste sentir, o do direito de família, o que o pai
pretende é dar o sentido de pertença ao grupo familiar mesmo após seu
falecimento, porque isto não revogado com a antecipação da legítima, posto que
ninguém deixa de ser filho porque os pais lhe anteciparam em vida o direito de
herança, o que não volta atrás são as consequências materiais desta
antecipação.
Em outras oportunidades, o Cristo juiz aponta para critérios de
severidade no julgamento daqueles que estão desviados do caminho, como as
pessoas que desviam do caminho os pequeninos, cuja sentença é a morte; quando
as pessoas fazem da Igreja usurpação, com surra em praça pública. Etc.
De modo que, tirar Jesus Cristo para vacilão ou otário, é fazer
interpretação equivocada ou desviada da real intenção e resultados práticos das
ordens emanadas de seus ensinamentos.
Mas o que isto importa para o momento: por duas razões – a primeira,
se refere ao momento de quaresma, e, necessidade de auto reflexão, e, a
segunda, diz respeito ao fato de que no Brasil, estamos vivendo momentos de
julgamentos públicos como ocorreu na época do Cristo.
A tônica do julgamento do Cristo foi o envolvimento do juízo e
população em práticas de injustiça, ao ponto de permitir que Barrabás fosse
solto para o Cristo ser preso.
A população de hoje discute que ladrões amigos do povo estão
merecendo perdão, e, pessoas com boas propostas sequer são ouvidas, o que
demonstra terem se passados dois mil anos, e, a humanidade, neste particular em
nada evoluiu.
Até quando será que hordas darão ao restante da humanidade o que
fazer? Penso que devemos, pelo mesmo critério de sentido de alcance de justiça,
da primeira preocupação ventilada pelos ensinamentos do Cristo, que observar doía
dados relevantes.
Estaremos impunes no caso de ladrões se ocuparem de nosso
patrimônio comum, espoliando de nossa geração e gerações vindouras de critérios
de julgamento mais veementes e condenatórios.
Por esta linha de raciocínio quando nos omitimos de nossa
responsabilidade de zelar por nossa Igreja pessoal , nosso maior bem, nossa
vida, deixando ser espoliado, e, quando deixamos que as gerações futuras deixem
de ter o futuro a que têm direito, acabamos por agir de acordo com os critérios
de condenação ditados pelo Cristo, por conta de omissão dolosa quanto ao
pequeninos, e, falta de critério na administração dos talentos, cujas consequências
são igualmente funestas.
Desta forma, você que se omite, e, acha que política e políticos
falsos sempre existirão e você não é pessoalmente responsável, está
redondamente enganado, porque seu julgamento, adotando os critérios do Cristo
serão de inevitável condenação, então acorde, reaja e defenda o que é seu e das
gerações vindouras, no mínimo para não ser condenado ao final de sua vida, senão
o vacilão será você.
Brasil, 13 de março de 2016
Hélio Barreto dos Santos Filho
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